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Direitos do Trabalhador 06/08/2026

Fim do home office nos bancos: Itaú, Nubank e Bradesco puxam volta ao presencial; veja o que a CLT permite e como se proteger

Fim do home office nos bancos: Itaú, Nubank e Bradesco puxam volta ao presencial; veja o que a CLT permite e como se proteger

A cena que virou padrão desde a pandemia, de milhões de brasileiros trabalhando de pijama na sala de casa, começa a mudar de vez em 2026. Grandes bancos, que sempre foram termômetro do mercado corporativo, anunciaram um a um o retorno ao escritório. E não é volta pontual: são novas regras contratuais, com aumento firme dos dias presenciais e cobrança de disciplina.

O caso mais recente veio do Itaú. O banco confirmou que, a partir do primeiro trimestre de 2028, funcionários em regime híbrido passarão a comparecer três dias por semana ao escritório. Hoje, a regra é de apenas oito dias por mês. Superintendentes vão para quatro dias presenciais por semana, e a mudança nesse grupo começa já em janeiro de 2027. O Nubank, por sua vez, já havia comunicado em novembro do ano passado a exigência de dois dias presenciais por semana a partir do segundo semestre de 2026, subindo para três em 2027. E o Bradesco simplesmente encerrou o modelo remoto para cerca de 900 pessoas no início deste ano.

Uma tendência que não é só dos bancos

O movimento passou a ter nome dentro do RH: retorno ao presencial. Um levantamento da consultoria JLL mostrou que a vacância de escritórios em São Paulo caiu para 13,4% no primeiro trimestre de 2026, o menor patamar em 14 anos. Isso significa mais empresas ocupando espaços físicos, mais gente na rua e mais cobrança para reaparecer no crachá.

Do outro lado, uma pesquisa da WeWork com a Offerwise trouxe um dado que resume o clima entre os trabalhadores: 63% dos brasileiros já atuam totalmente presenciais, mas 79% dizem que isso não foi escolha. Quando podem decidir, apenas 42% escolheriam ir todo dia ao escritório. E 44% relatam que a perda de flexibilidade gera desmotivação, enquanto 38% falam em ansiedade.

A empresa pode mesmo obrigar a voltar? O que diz a CLT

A resposta curta é: pode, mas com regras. Os artigos 75-A a 75-F da CLT, que regulamentam o teletrabalho, tratam desse ponto de forma bem direta. A empresa tem o direito de determinar o retorno ao presencial, desde que respeite prazo mínimo de transição de 15 dias corridos e formalize a mudança em aditivo contratual, assinado pelas duas partes.

Ou seja, o empregador precisa avisar por escrito, dar tempo de adaptação e registrar a nova rotina no contrato. Não pode simplesmente enviar um e-mail dizendo que na próxima segunda todo mundo aparece no prédio.

Além do prazo, o artigo 468 da CLT proíbe alterações contratuais que causem prejuízo direto ao trabalhador. E é exatamente aí que os casos podem virar disputa judicial. Se o funcionário foi contratado especificamente para atuar de forma remota, com essa condição prevista no contrato, a mudança para presencial exige negociação. Não pode ser imposta.

Quando o retorno pode ser questionado

Advogados trabalhistas apontam alguns cenários em que o trabalhador tem argumento sólido para contestar a decisão:

  • Contrato escrito prevê expressamente o regime de teletrabalho como condição essencial;
  • Funcionário mudou de cidade ou de estado com autorização da empresa, comprando imóvel ou assinando aluguel;
  • Retorno inviabiliza a rotina familiar, como no caso de quem cuida de filhos pequenos, pais idosos ou pessoas com deficiência;
  • Empresa não deu o prazo mínimo de 15 dias ou não apresentou aditivo contratual;
  • Custo de deslocamento se torna desproporcional em relação ao salário, sem que haja compensação com vale-transporte adequado ou ajuda de custo.

Nesses casos, o trabalhador pode buscar o sindicato da categoria, procurar o Ministério do Trabalho ou consultar um advogado. Existe também a via da negociação direta com o RH, tentando manter parte dos dias remotos ou pedindo prazo maior para se mudar de volta à cidade da empresa.

O que o trabalhador precisa fazer agora

Se você trabalha em regime híbrido ou remoto em uma empresa que sinalizou mudança, três atitudes valem ouro:

  1. Guarde tudo por escrito. E-mails de contratação, comunicados internos, política de home office, cláusulas contratuais. Esse material vale como prova se houver disputa.
  2. Leia o aditivo antes de assinar. Se a empresa apresentar um documento novo formalizando o presencial, confira o prazo de transição, o novo endereço de trabalho e se há alguma cláusula sobre vale-transporte, vale-refeição ou ajuda de custo. Assinar sem ler pode custar direitos.
  3. Calcule o impacto real. Some transporte, alimentação fora de casa, tempo de deslocamento e possíveis custos de creche ou cuidado com dependentes. Muitas vezes, um salário que parecia ótimo no home office fica apertado demais no presencial. Esse cálculo ajuda a negociar.

Custos escondidos do retorno

Poucos empregadores conversam abertamente sobre o outro lado da conta. Quem morava a 40 quilômetros do escritório porque tinha só oito dias presenciais por mês passa a gastar até quatro vezes mais com transporte quando a regra vira três dias por semana. Almoço fora, pequenas manutenções no guarda-roupa, café da tarde no trabalho: tudo isso volta para o orçamento familiar.

É por isso que, mesmo quando a empresa tem o direito legal de exigir o retorno, muitos especialistas recomendam abrir a conversa. Empresas maduras têm oferecido benefícios extras nesse período, como reembolso de mudança, aumento do vale-transporte, subsídio para deslocamento ou flexibilidade em dias específicos da semana. Vale pedir.

Vagas 100% remotas ainda existem

Se o retorno ao presencial não faz sentido para a sua vida hoje, saiba que o mercado ainda tem espaço para quem quer manter o trabalho de casa. Empresas de tecnologia, atendimento ao cliente, marketing digital, redação e design continuam contratando em regime totalmente remoto, muitas vezes com salários competitivos.

Aqui no ContratadoAKI dá para filtrar vagas pelo tipo de trabalho e encontrar oportunidades home office em várias áreas. Cadastrar o currículo e manter seu perfil atualizado é o primeiro passo para não ficar refém de uma única empresa que muda as regras. Fim do home office no seu emprego atual não precisa ser o fim do home office na sua carreira.

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