Novo Caged: Brasil cria 145 mil empregos com carteira em junho e chega a 921 mil no 1º semestre de 2026
O mercado de trabalho formal brasileiro seguiu criando vagas em junho de 2026, mas em um ritmo mais moderado. Segundo os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o país registrou saldo positivo de 145.161 novos postos de trabalho com carteira assinada no mês. Com isso, o primeiro semestre do ano fechou com 921.645 empregos formais criados, um crescimento de 1,96%.
O resultado é fruto de 2.220.131 admissões contra 2.074.970 desligamentos no mês. Com o saldo positivo, o estoque de vínculos formais no Brasil alcançou a marca de 48.032.308 trabalhadores com carteira assinada, alta de 0,30% em relação a maio. Nos últimos 12 meses, o país acumulou cerca de 963 mil novas vagas, o equivalente a um crescimento de 2,1% no período.
O Novo Caged é o principal termômetro mensal do mercado de trabalho formal no Brasil. Ele acompanha as movimentações de admissão e demissão sob o regime CLT com base nas informações declaradas pelas empresas ao eSocial, e é divulgado pelo Ministério do Trabalho todos os meses. Por isso, seus números são bastante acompanhados por trabalhadores, empresas e economistas.
Todos os cinco grandes setores contrataram
Um dos destaques de junho foi que todos os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas fecharam o mês admitindo mais do que demitindo. Veja o saldo por setor:
- Serviços: +74.514 vagas, o maior saldo, puxado por atividades administrativas e serviços complementares;
- Agropecuária: +22.898 postos;
- Comércio: +19.177 postos;
- Indústria: +14.438 postos;
- Construção: +14.136 postos.
O setor de Serviços vem se firmando como o principal motor de geração de empregos no país, respondendo pela maior fatia das contratações tanto no mês quanto no acumulado do ano.
Onde ficam os empregos: o mapa por estado
O saldo foi positivo em 25 das 27 unidades da federação. Em números absolutos, lideraram a criação de vagas:
- São Paulo: +34.981 postos;
- Minas Gerais: +20.805 postos;
- Rio de Janeiro: +16.856 postos.
Os únicos estados com saldo negativo foram o Espírito Santo (-2.259), por causa da desmobilização das atividades ligadas ao café, e Tocantins. No acumulado de 2026, São Paulo (252.558), Minas Gerais (108.977) e Paraná (69.638) concentram os maiores saldos do país.
Jovens e ensino médio dominam as contratações
Os dados populacionais revelam quem está conseguindo essas vagas. A população jovem, de até 24 anos, respondeu por 86,4% das contratações líquidas do mês, com 125.430 postos. Por escolaridade, quem tem ensino médio completo liderou, com 109.255 novas vagas. O saldo foi praticamente equilibrado entre homens (72.569) e mulheres (72.592).
Salário médio de admissão sobe
Quem foi contratado em junho entrou ganhando um pouco mais. O salário médio real de admissão ficou em R$ 2.404,34, valor 0,7% superior ao de maio e 1,2% acima do registrado em junho do ano anterior, já descontados os efeitos sazonais. Para os trabalhadores em vínculos típicos, a média de admissão foi ainda maior, de R$ 2.446,27, enquanto nos vínculos não típicos ficou em R$ 2.101,51.
Vínculos típicos e não típicos
Dos postos criados no mês, a maior parte foi de vínculos considerados típicos, ou seja, o emprego com carteira assinada tradicional, que respondeu por 77,3% do saldo. Os 22,7% restantes vieram de vínculos não típicos, formados principalmente por trabalhadores temporários e por pessoas físicas inscritas no cadastro de atividades econômicas. Esse recorte ajuda a entender que, além do emprego formal clássico, o mercado também tem absorvido mão de obra por meio de contratos mais flexíveis.
Por que o ritmo desacelerou
Apesar do saldo positivo e do mercado ainda aquecido, o resultado do primeiro semestre representa uma queda em relação ao mesmo período de 2025 e é apontado por analistas como o menor para o intervalo desde 2020. A leitura predominante é de que o mercado de trabalho segue firme, mas passa por uma desaceleração influenciada pela política de juros altos, que encarece o crédito e tende a frear novos investimentos e contratações.
No acumulado do ano, quatro dos cinco grandes setores tiveram saldo positivo: serviços (571.926), construção (168.962), indústria (143.442) e agropecuária (40.853). O comércio foi a exceção, com fechamento de 3.514 postos no semestre, refletindo a sazonalidade típica da atividade, que costuma contratar mais no fim do ano.
O que isso significa para quem procura emprego
Para o trabalhador, os números trazem um recado importante: mesmo em um cenário de juros altos, há vagas sendo abertas todos os meses, especialmente no setor de serviços, na construção e na agropecuária. A alta participação de jovens e de pessoas com ensino médio mostra que boa parte das oportunidades está em funções de entrada, ideais para quem busca o primeiro emprego ou uma recolocação.
Vale a pena acompanhar os setores que mais contratam na sua região, manter o currículo atualizado e ficar de olho nos canais oficiais de vagas. Quem se qualifica e se posiciona nos segmentos aquecidos tem mais chances de aproveitar esse fluxo contínuo de contratações que, mesmo desacelerando, segue positivo em todo o país.