Novo consignado CLT em 2026: juros limitados a 1,99% ao mês com garantia do FGTS; veja quem pode contratar
O crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, conhecido como Crédito do Trabalhador, passou por uma reformulação importante em 2026 e virou uma das principais opções de empréstimo com juros baixos no Brasil. A novidade é uma regra que limita a taxa de juros a 1,99% ao mês para quem oferece o saldo do FGTS como garantia, um patamar bem abaixo da média cobrada no cartão de crédito e no cheque especial. Neste texto, explicamos como funciona o novo consignado CLT, quem pode contratar, quais os limites de encargos e os cuidados que você precisa ter antes de assinar.
Desde o lançamento, o programa já movimentou mais de R$ 131 bilhões e alcançou cerca de 9 milhões de trabalhadores, segundo dados oficiais divulgados pelo governo. O crescimento rápido mostra que muita gente estava em busca de uma alternativa mais barata para trocar dívidas caras por um financiamento com parcelas descontadas direto na folha de pagamento.
O que é o consignado CLT e por que ele é mais barato
O consignado é uma modalidade de empréstimo em que a parcela é descontada automaticamente do salário, antes mesmo de o dinheiro cair na conta. Como o risco de calote é muito menor para o banco, a taxa de juros costuma ser bem inferior à de outras linhas de crédito. Antes restrito a servidores públicos e aposentados do INSS, esse tipo de crédito agora está disponível também para o trabalhador com carteira assinada da iniciativa privada.
A grande vantagem da versão atual é a possibilidade de usar o saldo do Fundo de Garantia (FGTS) e a multa rescisória como garantia adicional. Quem aceita oferecer essa garantia consegue as menores taxas do mercado dentro do programa.
A regra que limita os juros a 1,99% ao mês
A principal mudança de 2026 veio por meio de uma resolução do Conselho Curador que trata da gestão do consignado. Pela nova norma, o trabalhador que utiliza o FGTS como garantia tem direito a um teto de juros de 1,99% ao mês. Na prática, isso significa que as instituições financeiras não podem cobrar acima desse limite nessa condição específica.
Vale reforçar um ponto importante: esse teto de 1,99% vale para a situação em que há garantia do FGTS. Sem essa garantia, as taxas oferecidas pelos bancos variam bastante, indo de patamares próximos de 1,6% ao mês até algo perto de 6,8% ao mês, dependendo do perfil de cada trabalhador, do prazo escolhido e da instituição. Por isso, comparar propostas continua sendo essencial.
O teto de encargos: o que o banco pode e não pode cobrar
Outra proteção relevante foi a definição de um Custo Efetivo Total (CET) mais transparente. O CET reúne, em um único número, tudo o que você realmente paga: juros mais tarifas, impostos e seguros. A norma estabeleceu que os encargos adicionais não podem fazer o custo total disparar muito acima da taxa de juros contratada.
Além disso, ficou definido que apenas quatro tipos de encargos podem ser cobrados no consignado CLT:
- Juros remuneratórios, ou seja, o custo do dinheiro emprestado;
- Multa e juros de mora, cobrados apenas em caso de atraso;
- Tributos previstos em lei, como o IOF;
- Seguro prestamista, somente quando o trabalhador autorizar de forma expressa.
Qualquer cobrança fora dessa lista é irregular. Se você identificar tarifas estranhas na proposta, questione o banco antes de fechar o contrato e, se necessário, procure os canais de defesa do consumidor.
Quem pode contratar o Crédito do Trabalhador
A modalidade é voltada para quem tem carteira assinada (CLT). Com o passar do tempo, o público foi ampliado, e uma lei recente estendeu a possibilidade também a categorias como motoristas e entregadores de aplicativos, que passaram a ter acesso a linhas de crédito com desconto automatizado. A ideia do governo é justamente incluir trabalhadores que antes ficavam de fora do consignado tradicional.
Para contratar, o trabalhador geralmente faz a solicitação por aplicativos oficiais, como a Carteira de Trabalho Digital, e recebe propostas de diferentes bancos para comparar. Depois de escolher a melhor oferta, a contratação é concluída de forma digital.
A margem consignável: até quanto do salário pode ser comprometido
Existe um limite legal para proteger o trabalhador de se endividar demais. É a chamada margem consignável, que corresponde ao percentual máximo do salário que pode ser usado para pagar as parcelas do empréstimo. No consignado CLT, essa margem gira em torno de 35% da remuneração. Ou seja, mesmo que o banco ofereça um valor maior, o desconto mensal não pode ultrapassar esse teto, garantindo que sobre dinheiro para as despesas do dia a dia.
Um alerta necessário sobre o endividamento das famílias
O crédito mais barato é uma boa notícia, mas exige responsabilidade. Levantamentos recentes mostram que o endividamento das famílias brasileiras chegou a cerca de 49,7% da renda, um patamar historicamente elevado. Isso significa que quase metade do que as famílias ganham já está comprometida com algum tipo de dívida.
Nesse cenário, o consignado pode ser um aliado quando serve para trocar dívidas caras (como cartão rotativo e cheque especial) por uma parcela menor e com juros baixos. Mas ele vira um problema se for usado apenas para consumo por impulso, aumentando o total de dívidas em vez de organizá-las.
Cuidados antes de assinar o contrato
Se você está pensando em contratar, veja algumas dicas práticas:
- Compare o CET, e não só a taxa de juros, entre as propostas de vários bancos;
- Confirme se o seguro prestamista foi incluído com a sua autorização e se você realmente quer contratá-lo;
- Prefira usar o empréstimo para quitar dívidas mais caras, não para gastos supérfluos;
- Confira se o desconto mensal cabe no seu orçamento, mesmo em meses apertados;
- Desconfie de qualquer intermediário que peça pagamento adiantado para liberar o crédito, isso é sinal de golpe.
Conclusão: uma ferramenta útil que pede planejamento
O novo consignado CLT de 2026, com juros limitados a 1,99% ao mês na modalidade com garantia do FGTS, representa um avanço importante para o trabalhador brasileiro ter acesso a crédito mais justo. Com regras claras sobre encargos, limite de margem e um público cada vez mais amplo, o Crédito do Trabalhador se firma como alternativa às linhas de crédito mais caras.
Ainda assim, nenhum empréstimo é gratuito. O segredo está em usar essa ferramenta com planejamento, priorizando a organização das finanças e evitando comprometer o orçamento. Bem utilizado, o consignado pode aliviar o bolso; mal utilizado, apenas adia e agrava o problema. Antes de contratar, faça as contas com calma e escolha a opção que realmente melhora a sua vida financeira.