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Economia 15/08/2026

Emprego formal em 2026: Brasil chega a 62,8 milhões de vínculos no primeiro semestre, aponta RAIS Mensal

Emprego formal em 2026: Brasil chega a 62,8 milhões de vínculos no primeiro semestre, aponta RAIS Mensal

O mercado de trabalho brasileiro fechou o primeiro semestre de 2026 com um novo recorde. Segundo os dados da RAIS Mensal, divulgados nesta quinta-feira (13) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o país alcançou 62,8 milhões de vínculos formais ativos em junho. O número representa um aumento de 2,2 milhões de postos em relação ao estoque registrado no fim de 2025, uma alta de 3,6% no período. É a maior marca já vista na série da Relação Anual de Informações Sociais, que passou a ser divulgada mensalmente.

O dado ganha ainda mais relevância quando comparado com o início da atual gestão. De janeiro de 2023 até junho de 2026, o estoque de empregos formais cresceu 10,1 milhões de vínculos, um avanço de 19,1% em pouco mais de três anos e meio. A divulgação foi acompanhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos ministros Luiz Marinho (Trabalho), Wolney Queiroz (Previdência) e Dario Durigan (Fazenda), em cerimônia na sede do MTE, em Brasília.

O que é a RAIS Mensal e por que ela importa

A RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) é uma base oficial que reúne informações sobre os vínculos formais de trabalho no Brasil, tanto no setor privado quanto no setor público. Tradicionalmente ela era divulgada uma vez por ano. Desde 2026, o MTE passou a publicar a versão mensalizada, que traz o estoque de vínculos ativos mês a mês, com recortes por estado, setor, sexo, raça, escolaridade e faixa etária. Isso permite acompanhar a evolução do emprego com muito mais rapidez do que o antigo calendário anual.

É importante não confundir a RAIS com o Novo Caged. Enquanto o Caged mede o saldo mensal de contratações e demissões com carteira assinada, a RAIS mostra o total de vínculos existentes, incluindo servidores públicos e outras categorias. Juntas, as duas estatísticas dão um retrato mais completo do mercado de trabalho brasileiro.

Quais setores mais contrataram

O setor de serviços foi, mais uma vez, o grande motor do emprego formal. Ele registrou o maior crescimento de vínculos no período, com a criação de 8,45 milhões de empregos desde o início de 2023, um avanço de 28,3%. O número saltou de 29,81 milhões para 38,26 milhões de vínculos. Também é o setor que paga os maiores salários, com remuneração média de R$ 4.999. Na sequência, aparecem:

  • Comércio: 10,53 milhões de vínculos formais no semestre;
  • Indústria: 9,15 milhões de empregos formais;
  • Administração pública, educação, saúde e serviços sociais: crescimento de 42,1%, com 6,03 milhões de novos vínculos;
  • Agropecuária e construção: também com saldos positivos no acumulado.

O avanço expressivo das áreas ligadas ao setor público, à educação e à saúde ajuda a explicar o crescimento do total de vínculos. Esse é um dos motivos pelos quais o estoque geral cresceu mesmo em um cenário de economia mais desacelerada, com juros ainda elevados.

Carteira assinada e setor público

Do total de vínculos formais, 48,15 milhões são empregos com carteira assinada no setor privado. O número representa um crescimento de 10,9% em relação ao início de 2023, quando eram 43,4 milhões. Já o número de vínculos no setor público passou de 9,25 milhões para 14,31 milhões no mesmo período, puxado principalmente pela expansão de contratos e da administração pública.

Para quem está procurando emprego, o recado é claro: as oportunidades formais seguem concentradas em serviços, que incluem desde atividades administrativas até saúde, educação, tecnologia e atendimento. É nesse universo que as empresas estão contratando com mais intensidade, como mostra também o dado de que as micro e pequenas empresas respondem por boa parte dos postos criados, tema que já foi detalhado no guia sobre as micro e pequenas empresas que criam 60% dos empregos formais.

Jovens ganham espaço no mercado

Um dos destaques da RAIS Mensal é a maior participação dos jovens com até 24 anos. Segundo o MTE, esse grupo representava 12,7% dos vínculos em dezembro de 2025 e subiu para 13,8% em junho de 2026. A alta indica que as empresas estão abrindo espaço para quem está começando a carreira, o que costuma vir acompanhado de programas de primeiro emprego, estágios e vagas de entrada.

Para quem está nessa fase, vale reforçar a preparação para os processos seletivos. Boa parte das contratações de jovens passa por etapas de entrevista e avaliação, e é exatamente nesse ponto que muitos candidatos perdem oportunidades. Quem quer se destacar pode conferir o guia sobre como se preparar para uma carreira em profissões em alta e montar uma estratégia de recolocação mais eficiente.

Quanto se ganha em média

A remuneração média dos trabalhadores formais também subiu. Em junho de 2026, o salário médio chegou a R$ 4.389,49, acima dos R$ 4.352,21 registrados em maio. O setor de serviços lidera também nesse quesito, com média de R$ 4.999. Vale lembrar que esse valor considera todos os vínculos formais, incluindo o setor público, e por isso fica acima do salário mínimo nacional, que deve subir para R$ 1.717 em 2027, como explicamos no guia sobre o novo salário mínimo.

O crescimento da renda média é relevante para o trabalhador em dois sentidos. Primeiro, porque representa poder de compra maior no dia a dia. Segundo, porque valores maiores de salário também elevam a base de cálculo de benefícios como o FGTS e o consignado privado, que cresceu de forma acelerada entre trabalhadores com carteira assinada.

Desigualdades que ainda pesam

Apesar dos recordes, os dados da RAIS Mensal também evidenciam desigualdades estruturais que seguem presentes no mercado de trabalho brasileiro. As mulheres recebem, em média, 87,9% do salário dos homens. Já os trabalhadores pardos e pretos recebem cerca de 68% da remuneração dos trabalhadores brancos. São diferenças que não se explicam apenas por escolaridade ou jornada e que seguem no centro do debate sobre políticas de igualdade.

Por outro lado, o estoque de empregos entre mulheres cresceu 25% desde o início de 2023, passando de 23,34 milhões para 29,18 milhões de vínculos. Entre os homens, o avanço foi de 14,5%, de 23,34 milhões para 29,44 milhões. Ou seja, as mulheres foram responsáveis pela maior parte do crescimento absoluto de postos formais no período.

Jornada de trabalho e o debate da escala 6x1

Os dados também trouxeram um retrato da jornada dos brasileiros. Segundo a RAIS Mensal, 70% dos vínculos com jornada informada têm contratos de 41 a 44 horas semanais, o equivalente a 35,7 milhões de vínculos. O número não permite identificar quantos estão especificamente na escala 6x1, mas mostra o peso das jornadas mais longas no mercado formal.

Foi com base nesses números que o ministro Luiz Marinho voltou a defender a discussão sobre o fim da escala 6x1 e cobrou do Senado a votação da proposta. Em suas palavras, os senadores deveriam liberar a pauta e votar a favor ou contra conforme a consciência, mas votar e permitir que o debate ocorra. A proposta, que prevê a redução da jornada para 40 horas semanais sem redução de salário, é uma das mais aguardadas pelos trabalhadores.

O que isso significa para quem busca emprego

Para o trabalhador que está em busca de uma colocação, os números da RAIS Mensal trazem um cenário de mercado aquecido, porém mais seletivo. O estoque recorde de vínculos indica que há vagas sendo abertas, mas a concorrência e a exigência por qualificação continuam altas, principalmente em um momento em que a criação de novos postos desacelera sob o peso dos juros e do cenário internacional.

Na prática, isso reforça a importância de se manter atualizado e de buscar oportunidades nas áreas que mais contratam, como serviços, saúde, educação e tecnologia. No ContratadoAKI, empresas de todo o Brasil publicam vagas todos os dias, com oportunidades para os mais diferentes perfis e níveis de experiência. Vale conferir as vagas atualizadas no site e acompanhar as tendências do mercado para não perder a chance de entrar em um dos setores que mais crescem.

Fontes: g1, Metrópoles e Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS Mensal).

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